domingo, 16 de junho de 2013

Beijo no escuro...


"Agarre meu braço agora. Agarre com força. Iremos a vários lugares escuros, mas acho que conheço o caminho. É só não largar meu braço. E, se por acaso, receber um beijo meu no escuro, não dê muita importância; é apenas porque te amo."

---Stephen King

A Sombra do Vento

"O destino costuma estar na curva de uma esquina. Como se fosse uma linguiça, uma prostituta ou um vendedor de loteria: suas três encarnações mais comuns. Mas uma coisa que ele não faz é visitas a domicílio. É preciso ir atrás dele".
(Carlos Ruiz Zafón)

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Charles Dickens - A Casa Soturna

      "Vem noite, vem escuridão, pois não podes chegar demasiado cedo ou permanecer muito tempo num lugar como este! Vinde, luzes errantes, para dentro das janelas das casas horrendas, e vós que praticais ali iniquidades, praticai-as pelo menos com exclusão desta cena terrível! Vem, chama do gás, ardendo tão tristemente por cima do portão de ferro, sobre o qual o ar envenenado deposita seu bálsamo de bruxas, peganhento como visgo! É bom que chames a atenção de todos os passantes: "Olhai para aqui!".
       Com a noite, surge um vulto curvado, que atravessa o túnel, na direção do portão de ferro [do cemitério]. Agarra o portão com as mãos e olha para dentro, através das grades, assim permanecendo por algum tempo.
Depois, com uma velha vassoura, que carrega consigo, vai de mansinho varrendo o degrau, limpando a passagem abobadada. Faz isso com bastante diligência e primor, olha para dentro ainda um pouco e vai-se embora.
     És tu, Jo? Muito bem, muito bem! Embora testemunha recusada que "não sabe dizer com exatidão" o que farão com ele mãos mais poderosas do que as dos homens, não estás completamente nas trevas exteriores. Há qualquer coisa parecida com um distante raio de luz na tua balbuciante razão quando dizes:
     - Ele era muito bom para mim, era muito bom!
--- Charles Dickens, A Casa Soturna

sábado, 4 de maio de 2013

H. G. Wells

(...) Pense (...) naquelas pessoas exaustas. Pessoas submetidas a tensão excessiva, com o desejo de fazer, querendo ser... Pessoas, de fato, estressadas... O verdadeiro problema da vida, Ponderevo, não é porque existimos - isto é um erro comum; o verdadeiro problema é que nós não existimos realmente, e queremos existir. Isto é o que - no melhor sentido - o dinheiro significa! O desejo de sentir - ao menos uma vez - que se está vivo, realmente!...

Ninguém quer fazer as coisas que os outros fazem nem ser o que os outros são - ninguém. Você não quer presidir esse engarrafamento. Eu não quero usar estas abomináveis roupas e ser conduzido por você, ninguém quer continuar rotulando estas garrafas de baboseiras baratas. Isto não é existir! Isto é - subs - substrato. Nenhum de nós quer ser o que somos, ou fazer o que fazemos. Exceto, como uma espécie de base. O que queremos? Você sabe. Eu sei. Ninguém confessa. O que todos nós queremos é ser alguma coisa eternamente jovem e bela - jovens Júpiters - jovens Júpiters, Ponderevo, perseguindo tímidas e recatadas ninfas através de florestas eternas...

--- H. G. Wells em Tono Bungay

domingo, 21 de abril de 2013

Sua vida deve ser uma cidade aberta...

"Você terá esse livro em suas mãos e vai aprender junto comigo todas as coisas que aprendi: não existe imortalidade que não seja baseada em amizade e trabalho feito com capricho. Todos os segredos do mundo que merecem ser conhecidos estão debaixo de nossos olhos. Levam 41 segundos para subir uma escada de três andares. Não é fácil imaginar o ano de 3012, mas isso não significa que você não deva tentar. Temos agora novas habilidades, poderes estranhos aos quais ainda estamos nos acostumando. As montanhas são uma mensagem de Aldrag, o patriarca Wyrm. Sua vida deve ser uma cidade aberta, saiba quais são e deixe claros todos os modos de se entrar nela.
Depois disso, o livro vai desaparecer, como desaparecem todos os livros em sua mente. Mas espero que se lembre disso:

Um homem caminhando apressado por uma rua escura e deserta. Passos rápidos e respiração ofegante, maravilhado e ávido. Um sino acima de uma porta e seu tilintar. Um atendente e uma escada e uma luz dourada e quente, e então: o livro exatamente certo, no tempo exatamente certo".

--- Robin Sloan, em "A livraria 24h do Mr. Penumbra"